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10 julho 2013

Matemática em foco


Apenas 10% dos alunos aprendem o ideal em matemática no ensino médio

Nenhum estado cumpriu a meta de 2011; pior desempenho foi do DF.
Em língua portuguesa índice de proficiência é de 29,2%, diz estudo.


Do G1, em São Paulo

Aula de matemática (Foto: Reprodução/RBS TV)

Aula de matemática (Foto: Reprodução/RBS TV)

Apenas 10,3% dos jovens brasileiros têm aprendizado adequado em matemática ao final do ensino médio, segundo aponta o relatório De Olho nas Metas divulgado nesta quarta-feira (6) pelo movimento Todos pela Educação. Os dados foram atualizados com base nos resultados da Prova Brasil/Saeb 2011.

A deficiência em matemática já foi constatada em 2009, quando o índice de proficiência entre os alunos do último ano do ensino médio foi de 11%. A meta parcial estabelecida pelo Todos pela Educacação para 2011 era de 20%. 

Nesta nova atualização, o cenário em matemática revela uma crise. Nenhuma unidade da federação atingiu a meta parcial de 2011. O desempenho menos pior foi do Amazonas, que ficou a 3,5 pontos percentuais da meta. O destaque negativo fica por conta do Distrito Federal, 18,1 pontos percentuais abaixo da meta.

Para Katia Stocco Smole, mestre e doutora em educação na área de ciências e matemática, nada justifica esse cenário. "O mais grave ainda é ficarmos apenas na denúncia e não mobilizarmos ninguém. Não há exclusão maior do que esta, onde se faz um funil apenas por uma disciplina."

Segundo ela, em todo o mundo os índices de proficiência entre os alunos são maiores em português do que em matemática. "Não que seja mais difícil aprender matemática, a diferença é que o contato com a língua portuguesa é muito maior. Não ouvimos falar de álgebra na televisão. Apesar da importância da matemática, o tempo de vivência com a língua portuguesa é muito maior."

Para Priscila Cruz, diretora do Todos pela Educação, é como se a matemática não tivesse na agenda pública. "Mal dá para ter respostas do governo [sobre os baixos indicadores]. Faltam projetos estruturantes como um currículo nacional e uma política de formação de professores." De acordo com Priscila, o próximo passo é procurar os municípios que tiveram bons desempenhos para "tentar ter alguma pista" que possa ser copiada no restante do país.

Metodologias diferentes
Luiz Claudio Costa, presidente do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), explicou ao G1 que, de fato, seguindo as metas estipuladas pelo Todos pela Educação, as escolas brasileiras ficaram aquém do resultado esperado. Porém, considerando as políticas públicas discutidas e definidas em conjunto com a sociedade no Congresso Nacional, e incluídas no Plano Nacional de Educação (PNE), que atualmente tramita no Senado, o governo vem cumprindo as metas estipuladas, que se referem ao resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

"Quando a gente trabalha com essas metas todas, sabemos que temos problemas na educação, principalmente no ensino médio, mas eles não são da mesma forma que o Todos pela Educação aponta, por uma questão de metodologia", afirmou Costa.

Segundo ele, o movimento da sociedade civil reconhece que sua meta é mais alta que a do governo e, se ela substituísse a oficial, em 2022 todas as turmas de alunos, independente do ciclo escolar, deveriam ter um Ideb de 6,5. Hoje, usando o cálculo do MEC, as metas para 2022 variam de acordo com o nível de escolaridade dos alunos e nenhuma delas passa de 6.

"Estamos atingindo as metas estabelecidas pelo Estado brasileiro, o que não significa que não temos problemas. Quando divulgamos o Ideb no ano passado, dissemos que o maior problema era o ensino médio", explicou o presidente do Inep, que citou diversos programas do Ministério da Educação para incentivar a formação continuada de professores, como o Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (Profimat).

Ainda de acordo com ele, a meta usada pelo Todos pela Educação, que considera o aproveitamento acima ou abaixo de 70% do conteúdo esperado em uma matéria, deixa de fora nuances específicas que podem ajudar as escolas a, por exemplo, desenhar estratégias específicas para elevar o aprendizado de alunos de 30% para 40%. "Nós precisamos ter outra visão", afirmou Costa.

Português
Em língua portuguesa, ao contrário do que ocorreu em 2009, a meta de 2011 não foi atingida. No Brasil, o percentual de jovens com aprendizado adequado nessa disciplina foi de 29,2%, para uma meta parcial de 31,5%.

Doze unidades da federação atingiram ou superaram a meta em 2011 e 15 ficaram abaixo da meta. Amazonas e Rio de Janeiro superaram a meta em 8,1 e 5,6 pontos percentuais, respectivamente.

Ensino fundamental
Nos anos finais do ensino fundamental (9º ano) os indicadores melhoraram em relação a 2009, mas não o suficiente para o cumprimento das metas.

Em língua portuguesa, 27% dos alunos alcançaram desempenho adequado, para uma meta parcial de 32%, estabelecida pelo movimento Todos Pela Educação para 2011. E, em matemática, 16,9% para uma meta de 25,4%. As marcas anteriores eram 26,2% para língua portuguesa e 14,7% para matemática.

Apenas os anos iniciais do ensino fundamental tiveram desempenho menos preocupante. Em língua portuguesa, 40% dos alunos apresentaram desempenho adequado (eram 34,2% em 2009), para uma meta de 42%. Em matemática, 36% dos alunos apresentaram desempenho adequado (eram 32,5% em 2009), superando a meta parcial em um ponto percentual.

Os estados de Alagoas, Amapá, Pernambuco e Roraima não conseguiram cumprir a meta 3, de garantir que o aluno tenha conhecimento adequado à sua série, em nenhuma das disciplinas para nenhuma das etapas da educação básica. Já o estado de Tocantins superou as metas para os anos iniciais e para os finais do ensino fundamental, em ambas as disciplinas; e o do Amazonas superou as metas dos anos iniciais do ensino fundamental, em ambas as disciplinas, e superou a meta de língua portuguesa nos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.

Metas
O Todos Pela Educação elegeu 2022, ano em que se comemora o bicentenário da Independência do Brasil, como data limite para o cumprimento de cinco metas que são monitoradas e atualizadas. Elas servem como referência e incentivo para que a sociedade acompanhe e cobre a oferta de educação de qualidade para todos.
São elas:
- Meta 1: Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na escola;
- Meta 2: Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos;
- Meta 3: Todo aluno com conhecimento adequado à sua série;
- Meta 4: Todo jovem com ensino médio concluído até os 19 anos,
- Meta 5: Investimento em educação ampliado e bem gerido.

06/03/2013 12h00 - Atualizado em 06/03/2013 20h44